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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, CAMPO GRANDE, Mulher, de 20 a 25 anos, Português, Espanhol, Arte e cultura, Música, Literatura
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Templates By Marina
E a moça que caminhava,
Corre, na busca do seu lugar.
Escapando, da boca, delírios, sussurros e gemidos.
Começa a libido, desconcertante, a me deixar molhada.
Enquanto tuas mãos percorrem meu corpo sob o vestido
E vai ao chão, num instante, o véu que encobria...
Totalmente entregue ao meu tutor, sem esteio.
Fazendo subir um arrepio voraz que refuta abulia
Com sua língua tesa e úmida a me tocar os seios
Refletidos no espelho... Me tornaste tua meretriz
Enquanto arranha minhas coxas com tuas unhas
Aumento o movimento extravagante dos quadris
Em luxuria, somos um, misturando nossos suores.
Pecadores declarados sem remissões nem testemunhas
Caio, sobre ti, exorcizada de todos os meus clamores...

"Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas
nuvens, deste céu?
Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais.
Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia.
Isso fica para os críticos e professores.
Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum
sabemos o que é a poesia."
Garcia Lorca
Minhas tardes são tão vazias...
Sem tuas letras provocando riso.
Me falta teu amor, em forma de poesia
E a ironia que exalas por teu guizo.
Se pudesse escolher, morreria contigo.
Ouvindo, sôfrega, tua dor em meus ouvidos
Se te desprezo é pelo desejo, pelo passado...
Por todo o furor que te fez o mais amado.
Mas continuo sua, como nunca ousei ser
Candente, ainda que gélida me perceba
Basta um olhar teu pro meu corpo esvaecer
Cobro, incessante amor, por mais amor que receba
Porque nessa falta em que me falta a compostura
Me perco e esqueço que ainda é minha, tua alvura
O poeta nunca vive, morre aos pedaços. (José Félix)

Poetas perseguidos, pedintes poetas...
Sábios simbolistas simbolizando solidão
Almejam alcançar as Almas Abertas
Compadecidas, com confiança... com compaixão...
Versos valentes! versos vazios...
Negam nuvens, não negam nada...
Fazem-se fugazes, fazem-se frios
São santos sem sabedoria sonhada
Estimam e espiam enquanto esperam
Pobres pessoas... perfeitos poetas...
Silenciosos, sonhadores sem sonhos sofreram
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
"Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter
uma voz reconhecível dentre todas as outras."
Mário Quintana